terça-feira, 10 de outubro de 2017

Eu deixaria tudo de você ficasse

Sei que é tarde para pedir que ouça minhas explicações bobas e sem nexo. Não teria como exigir sua atenção depois desses longos meses calada. E simplesmente vir aqui falar das minhas angústias, aquelas que guardo por não ter lhe dito a verdade enquanto você estava aqui.
Não posso exigir que entenda nas entrelinhas, linguagem corporal ou até mesmo os antônimos das palavras que eu disse.
Besteira minha seria acreditar que em consideração ao que fomos (se é que fomos) você me ouviria. Nem eu faria essa boa ação se estivesse em seu lugar.
Não estou aqui para explicar que a culpa não foi minha, que liguei naquela noite, que não foi eu quem estava conversando com aquele garoto, porque eu estava, mas na verdade estava tentando fazê-lo entender o quanto eu gostava de você, que eu e ele não teríamos qualquer chance, que poderíamos ser apenas amigos.
Não quero explicar porque tive medo, nem porque sumi por aquelas semanas, não atendi, não retornei, depois de lhe ver conversando intimamente com aquela fulana sem sal, e convenhamos, bem sem sal.
Não preciso nem dizer que seus próprios amigos alertavam a sua falta de interesse na nossa “ex-futura–relação” e do seu contato direto com a sua ex. Não tenho a intenção de lhe contar das histórias que fiquei sabendo sobre você, nem que depois delas andei me envolvendo com um de seus amigos sem querer, só de raiva. Desculpe!
Não sou ninguém pra julgar sua atitude de estar com várias ao mesmo tempo, enquanto eu me dividia mantendo dois relacionamentos para tentar não me apegar em você.
Não quero falar de todas as vezes que nos desencontramos, das vezes que lhe vi de longe e fui embora, depois de presenciar você e seu novo amor. Muito menos das vezes insanas que jurei nunca mais lhe procurar. Iludida, né?
Desnecessário falar que aquele dia eu fui a mulher mais feliz do mundo, quando disse que eu era a melhor pessoa que você conheceu ou quando me chamou de amor, sem querer e assustado. Quando pegou na minha mão apertado, no meio daquela festa em que escolheu ficar ali do meu lado. E ainda, quando me olhou nos olhos e eu só sorri.
Não tenho intenção nenhuma de viver  novamente aquilo que vivemos, longe disso. Melhor mantermos aquelas lembranças boas.

Depois de todo esse tempo as coisas já não são mais as mesmas, né? A gente mudou tanto, cresceu, provavelmente estragaríamos tudo. Melhor não.
Queria mesmo que entendesse que não fui o estopim do nosso fim, e que aquele papo de que eu não me importava, era só da boca pra fora.
Queria dizer que naquela noite eu bebi demais, falei demais, implorei demais, e no fim pedi que fosse embora de vez da minha vida, era tudo mentira! Eu já havia dito para não acreditar em mim...
Entre todas aquelas coisas mal ditas, eu só queria ter lembrado, antes de você ir, que eu deixaria tudo se você ficasse.

sábado, 30 de setembro de 2017

Hoje eu não quero ser especial



Querido, não, eu não quero mais te ver.
Sei que deve estar pensando que sou uma louca de pedra e que há dois meses atrás eu não tinha esse discurso.
Que eu não estou parecendo a guria que tu conheceu e que devo ter perdido a meiguice em alguma balada, alguma dessas que não lembro bem.
Sei também que deve estar me amaldiçoando mentalmente e desejando que eu morra engasgada com essas palavras desalmadas.
Mas ó, cá entre nós, eu nunca lhe jurei amor eterno – Deus me livre- e nem amor nenhum.
Nunca prometi que ficaria pra sempre, até semana que vem ou mês que vem, quem sabe.
Sempre justifiquei pra quem quisesse ouvir que se fosse pra eu gostar de alguém, gostaria era de mim. E só.
Sabe aqueles papos de que o problema não está em você e sim em mim? Pois bem, nesse caso o problema é você e essa sua mania de gostar de mim. Eu nem pedi, pedi?
Sinto muito, mas não quero mais sair contigo e nem aguento mais esse bando de mimimis que você teima em me apresentar. Sinto muito, mas não vai adiantar.
Não gosto que me ligue, em todos os dias e desesperadamente como se o mundo fosse acabar amanhã – olha que até não é má ideia se fosse pra não ver mais essa sua cara – ele não vai.
Sinto-me sufocada com esse bando de convites, me sinto invadida por esses abraços calorosos enquanto eu mal posso esperar a hora de ir embora.
Ah, também não gosto quando fala que gosta de mim e eu não posso responder nada além de “obrigada, qualquer coisa te aviso”.
Por favor, não me procure em todos os lugares que frequento.
Ando tão despreocupada que posso lhe magoar, lhe deixar falando sozinho ou até mesmo lhe dar um murro, só pra mostrar o quanto eu queria que existisse algo entre nós – um lago com 500 crocodilos famintos – daqui pra frente.
As coisas seriam mais fáceis se você se importasse menos comigo.
As coisas seriam mais fáceis se a gente pudesse voltar a aquela festa quando nos conhecemos – em que eu teria ficado em casa dormindo – naquela noite bem mais ou menos.
Eu só não aconselho que gostem de mim, desculpe não ter lhe enviado meu currículo antes.
Eu sei que não ficaria de bom grado lhe falar todas essas coisas brutas e reais. A verdade sempre é a melhor saída, mas não lançada através de uma tombadeira desgovernada. Eu sei.
Mas que culpa eu tenho dessa necessidade do desprendido que levo estampada na testa?
Não pense que não tenho coração, pelo contrário, ele é tipo coração de mãe, onde sempre cabe mais um, outro, mais um. E não nego que isso às vezes me incomoda.
É claro que também quero que algum dia alguém goste de mim – talvez menos meloso – do jeito que você gosta. Mas um dia não é hoje. Hoje eu nem quero ser especial.

Fechei a porta, não respondi as mensagens, não atendi as ligações. Depois de um tempo – longo tempo daquele Brasileiro do caramba – ele entendeu. Aleluia!
Então, foi assim que eu terminei aquele pré-relacionamento e me livrei de um p#%!!’.& peso nas costas.
Não nego que sofri um pouco, não por gostar dele, eu não gostava dele.
Mas me cortava o coração ter que deixar aquele cara fofo – deveria ser fofo pra alguém, né? – gostar sozinho e ainda ter o coração moído naquela máquina de carne moída, sabe?
Mas com o tempo, a gente acaba cansando de certas coisas. E ele? Acabou por ser premiado com meu primeiro – mentira – ataque de excesso de verdades.
Não foi por mal, mas a gente acaba querendo ser de verdade, do jeito que for.
A gente percebe que passou grande parte da vida sendo o que queriam que fossemos, deixando pra trás o que realmente somos por medo de magoar alguém.
Quantos relacionamentos existem por aqui – e a colega do seu lado? – só por comodidade, medo ou o pior, por pena da pobre criatura, que será deixada largada e desiludida – pela décima e não última – mais uma vez?
Posso até perder as contas.
Mas desde quando essas pessoas pararam de sorrir? Onde elas deixaram aquele brilho que elas tinham no olhar? Você gostaria de ser uma delas?
Eu não.
Nunca quis magoar alguém, muito menos aquele cara quase perfeito – chegava a ser irritante – que passou pela minha vida – como um cometa lento – naqueles últimos tempos.
Mas minha vó sempre disse algumas coisas sobre falar a verdade e desde pequena venho causando choros incontroláveis dos coleguinhas por ser sincera em excesso.Nunca pergunte se está gorda – se realmente está -, ok?
Eu não o queria. Era isso.
Dei o recado, ganhei um inimigo e certamente algumas galinhas pretas na esquina de casa.
Acontece.
Mas eu nunca me perdoaria se me deixasse fazer parte daquela quantidade de gente sem sorrisos, presas em relacionamentos por comodidade. Por ter que viver de mentiras por medo de magoar alguém e acabar matando aos poucos aquele brilho nos olhos – azuis – que levo comigo.
Sinto muito por não ser especial. Sinto por – agora – fazer parte da lista negra dele. Sorte que preto emagrece!

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Não sou o que era ontem

Hoje acordei diferente.
Parece que tudo que fazia sentido ontem, hoje não faz mais. Sei lá, talvez hoje eu tenha mudado algumas – uma dúzia de – coisas, daquelas que eu disse ontem.
Lembra aquele texto sobre amor? Aquele que falava sobre um cara que era o amor da minha vida e que esperei por mais de anos para rever? Lembra?
Era verdade, foi tudo verdade, eu contava as horas para rever aquele boy magia - razão das minhas atitudes ridículas por anos -, que foi motivo de todas as minhas noites sem dormir e daqueles textos amorosos e melancólicos que escrevi. Pois é, há alguns dias descobri que ele não era o amor da minha vida, e que eu nem tinha um.
Sabe aquele curso que me formei? Pois é, acho que não é o que quero pra vida toda, resolvi abrir um negócio e vou começar do zero. Eu sei, meu pai vai me matar!
O emprego atual? Nem se fala. Nem é mais atual, pedi demissão hoje, vou procurar outra coisa que tenha a ver comigo, que com certeza não é esse trabalho de telefonista. Nunca nem foi.
Hoje não concordo com a opinião de ontem, nem com a beleza daquele carinha que conheci na balada na sexta – ok, foi a bebida e as amigas cretinas que falaram que ele era lindo -, que nem era lá aquele deus grego, talvez fosse depois do atropelamento.
Hoje bebi vinho ao invés de cerveja. Eu sei, falei que não bebo vinho, mas bebi e daí? Até que estava bom.
Hoje acreditei no amor, sim, euzinha aqui, quando vi aqueles velhinhos andando de mãos dadas na praça.
Comentei que o amor era lindo, que realmente existia e queria muito casar e ter filhos, queria vê-los correndo pelo quintal – de uma casa que eu teria com um futuro marido – com alguns cachorros que teríamos.
Talvez amanhã eu beba cerveja e pense que o amor nem era tudo aquilo.
Qual o problema? Tem algo de errado nisso?
Onde está escrito que eu não posso mudar?
Eu sei, um dia falo sobre amor, outro sobre a raiva que tenho de casais apaixonados. Outro falo sobre a vontade de ir embora e dez minutos depois sobre a vontade de ficar.
Está bem, desculpe se falo sobre meu desapego e  5 minutos depois friso que ninguém sabe viver sozinho.
Mudo de estilo, mudo de roupa, hoje é jeans, amanhã é couro. Corto o cabelo, o vestido longo, exagero na maquiagem, decido trabalhar de cara limpa. Entro na academia, resolvo fazer dieta, largo tudo porque comer é um dos melhores prazeres. Vai entender.
Já perdi as contas do quanto mudei.
Deixei amores “eternos”, “melhores” amigos, emprego “ideal”. Deixei ideias, lugares, deixei coisas, pessoas, deixei sonhos, já até me deixei pra trás.
E hoje, não sei mais o que queria ser. Talvez eu queria ser muitas coisas juntas, separadas, talvez uma por dia, pode ser. Hoje eu não sou o que era ontem e isso que nem faz 24 horas quando eu disse que era, mas calma, amanhã isso tudo já muda.

E quer saber? Ainda bem!

Pela salvação da Amazônia

Ela mal poderia contar quantos quilômetros da amazônia ela havia ajudado a desmatar ultimamente, devido a quantidade de vezes que ela teimou em fazer papel de trouxa. 
Não falo da vez que ele a deixou esperando – linda e cheirosa – na porta de casa e não apareceu. Ou daquele dia em que ela ligou exatamente 6 vezes e ele não retornou. Nem mesmo quando ele foi viajar e disse que lá não funcionava o celular – por longos 10 dias – para ligações. Incrivelmente ele só funcionava para visualizar o whatsapp (e não  responder) e postar fotos nas redes sociais, sei lá.
Nem vale lembrar aquele dia em que ele ficaria em casa, e sem querer já estava na mesma balada, acompanhado da amiga – aquela de infância que ela nunca ouviu falar, que havia esquecido o vestido em casa e lançando a moda do use somente uma blusa na balada -, esse dia nem foi pra tanto né?
Também não falo daquela vez em que ele acordou sem lembrar do que aconteceu no dia anterior (principalmente a parte em que ele a pediu em namoro), coitado né?
Ou aquela vez que ele beijou aquela garota na frente dela, depois de ter afirmado no dia anterior que ela era a garota mais legal que ele havia conhecido (esqueceu de falar que era a “do dia”). Sem contar quando ele afirmou que gostava muito dela, mas que era ela quem estragava tudo. Tudo culpa dela. Vai entender.
Isso que esses acontecimentos cotidianos nem fazem parte do último pacote de 800 folhas, que ela acabou de utilizar.
Mesmo com tantas indiretas – quase tapas na cara de verdades doídas – para que ela entendesse de uma vez por todas, que a única coisa que ele desejava entre eles era a existência de um muro bem alto, ela não enxergava, era tão claro. Mais parecia que a garota gostava mesmo de sofrer.
Por diversas vezes ela acordava pra vida – ao som da música Aleluia, sei que esta cantando baixinho -, apagava o número dele, excluía seu instagran, seu facebook, e permanecia por meses sem sequer tocar no nome do indivíduo. Oh Glória!
Mas entre algumas bebidas e outras, quando batia aquela saudade que ela nem sabia do que, lá pelas tantas da manhã, após ter flertado com no mínimo os 4 caras mais lindos da festa, ela lembra dele. Caraca. por que Deus?!!!
Tudo bem, ela sorri aliviada quando lembra que excluiu o número dele, não tem o facebook nem o instagram. Ótimo garota! Até que começam a surgir aqueles números aleatórios e piscantes em sua mente. Não é que a garota sabia o número dele? Ela que não decora nem o cpf ou a placa do carro.
Então – por favor, trilha sonora triste, muito triste, qualquer uma, tem? – ela ligou. Isso. Cara ela ligou. Tudo, por água a baixo.
Depois de tudo que conseguiu até aqui, depois de não ter lembrado dele após o segundo copo, depois de não ter mandado qualquer estou com saudade, aleatório, sem querer e indevido. Depois de quase esquecer. Não acredito! Ela voltou a estaca zero e passou a desmatar intensamente a Amozônia novamente. É isso mesmo?
Ela só precisava entender o que estava tão óbvio. Ele não queria ela. Pronto. Tão simples e tão na cara.
Não adiantava. O problema não estava nela, nem nele. Ela não fez nada de errado, não ligou na hora errada, não chegou na hora errada, não é demais para ele, nem vice-versa. Ele só não queria estar com ela. Sem explicações, sem motivos conclusivos.
Ela precisava entender que a natureza e aquelas árvores coitadas não tinham nada a ver com o papelão que ela estava teimando em fazer, e que insistir em um cara que definitivamente não quer saber de você, é igual olho azul em gente feia, não adianta nada!

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Esse não é um pedido para que volte

Não quero que você volte, nem pensar. Não estou amargurada chorando até agora pela sua partida. Já foi. Já deu. E ficou tudo bem por aqui.

Eu não escrevo mais sobre você, já faz algum tempo, talvez seja por isso que meus textos tenham vindo ultimamente sem aquela devida emoção, sabe? Aquela que os faziam ser cada um mais especial, sei lá.

Eu prometi que esqueceria, e acho que até consegui. Né?

Ninguém disse que não seria difícil, no começo tudo é, a dieta, a cidade nova, o emprego novo, a gente tem essa mania de não gostar de mudanças, a gente não se adapta da noite para o dia, é complicado. Mas complicado, complicado mesmo é acostumar sem teu sorriso e aqueles olhos pequenos, aqueles olhos eram uma sentença de "agora ferrou querida, segura na mão de Deus". Tudo bem, dizem que a gente acostuma com tudo, e eles tem razão.

A gente sempre foi muito diferente...

Tipo feijão e arroz, água e vinho, praia e campo, mas a gente sempre foi tolerante um com o outro, parceiro, a gente abria mão da gente pelo outro, sem esforço, sem perceber, e isso sim era prova de amor, né?

Mesmo assim eu sempre disse que não daríamos certo, a cada briga, a cada conversa, insistia nas nossas diferenças e no fim te pedia pra ser só meu. Eu e essa bipolaridade sentimental...

É claro que eu percebia que o que eu sentia por ti me consumia o peito, na verdade nem eu entendia, acho que tive medo. A cada dorzinha de saudade eu tinha medo, e isso geralmente não acontecia por aqui, né coração?

Enquanto eu falava sobre os lugares que eu iria, sobre os sonhos que tinha, onde moraria, o que seria, e sobre a minha desaprovação quando aquele garoto deixou de seguir um sonho pela namorada, você só observava. Eu falava nas linhas e entrelinhas, vinha assinando meu termo de culpa sem perceber, ia fixando meu lugar na tua lista negra e nem percebia. As vezes eu me saboto, é isso.

Sempre exalei liberdade, não dava pra colocar só a culpa no signo, eu parecia gostar de "ser de ninguém", sentia euforia em gritar um "ninguém manda em mim", mesmo quando sabia que o melhor lugar para estar era ali, do seu lado. Eu sei, fui uma otária, as vezes eu ainda sou.

Desculpa.

Mas queria que soubesse que depois de você eu quis mudar, tentei, tentei mudar um pouquinho todos os dias, mas meu tempo era curto e, fui te perdendo aos poucos sem saber o que fazer para impedir. Eu nem sabia por onde começar, como é que se gostava de alguém povo?

Sem sorte de principiante eu fui vacilando, a máquina de vacilo que acertava uma, errava duas, na tentativa de somar alguns míseros pontos positivos eu só gerava débitos, até que te perdi. Eu não entendia muito sobre o amor, confesso, mas com o tempo eu entendi que era você, foi você e talvez ainda seja você.

Tudo bem, esse não é um pedido para que volte, mas se você quiser eu estou falando sério, mentira estou brincando, mas nunca falei tão sério em toda a minha vida, serião. Meu Deus eu falo muito sério!


terça-feira, 26 de setembro de 2017

Uma carta a atual

Sabe aquele cara? Aquele sentado ali, falando alto, bebendo com aqueles caras, ali na mesa da frente. Aquele com aqueles olhos pretos e cílios grandes. Não olhe agora!
Ele está vestindo aquela camisa jeans azul, meio surrada. Aquele tênis mal amarrado e aquele sorriso branquinho? Aquele ali, sentado do lado daquela garota, que parece feliz.
Olha… já fui louca por ele.
Escrevo essa carta – tipo um pedido ao Papai Noel – na esperança de que um dia ela leia.
Na verdade, queria tanto que ela soubesse o quanto ela tem sorte. O quanto ele é único.
Queria que ela soubesse dos meus sinceros desejos – não, não desejo a morte dela, o fim do caso deles ou até mesmo que o cabelo dela caia e a bunda fique mole – de vê-los felizes. Mas desejo mais ainda que ela o faça feliz. De verdade.
Espero que ela nunca esqueça das coisas que ele gosta.
Ele adora vodka e energético, gosta que o abrace bem perto do coração, quando os corpos se encaixam, sabe? Que ele adora rap, sertanejo e que ainda recebe mesada dos pais, então vocês não podem esbanjar tanta grana por aí. Ah, ele gosta de bife mal passado e odeia queijo.
Queria que ela soubesse que ele não gosta de gente mesquinha (assim como pensei que ela fosse). Não gosta de sushi. Não bebe refrigerante. Que ele adora quando lhe beijam na nuca, que sente arrepio quando falam ao pé do seu ouvido e que não tem cócegas, nem nós pés.
Ele não gosta de formalidades, não estuda, não trabalha e não sabe nada do futuro. 
Queria que ela soubesse que ele adora que lhe acompanhem nas “indiadas” que ele se mete – em todos os finais de semana há um programa de índio – e que odeia gente que não sabe conviver em grupo. Outra coisa importante é que ele odeia – ou finge – mordidas, e sente frio nos pés a noite.
Ela precisa saber de tantas coisas, das quais ela terá a sorte de descobrir, nos longos anos que desejo a eles.
Que ela possa ser o que não fui.
Que nunca o engane e não suma da vida dele, nem por um minuto. Que ela não deixe de ligar quando ele estiver brabo, por aqueles motivos que ele – só ele – acha que existem. Que não o esqueça – nem em meio a outros caras mais bonitos e gostosos – não o magoe e que o ame todos os dias de todas as formas, mesmo quando ele não merecer.
Que ela nunca cometa o mesmo erro que cometi, no momento em que o deixei escapar entre os dedos, por levar a sério demais esse meu orgulho bobo.
Para que ela não tenha que repetir meus pedidos – quase ordens – em uma carta como essa, para a próxima babaca que conseguir o perder.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Desista mais




Um parabéns com estrelinha para quem nunca desiste do que quer!
Parabéns, pra quem segue firme, insistentemente na cola do outro, feito uma pedra no sapato, feito um chiclete na sola, um velcro que não desgruda, e na qualificação mais meiga, um ursinho agarradinho.
Passamos a vida toda ouvindo frases como: “nunca desista dos seus sonhos, corra atrás do que quer pra sua vida, se quer busque, ficar parado não vai fazer com que as coisas venham até você”.
Alguém gravou a cara de quem lhe apresentou essa frase? Alguém aí sabe quem foi que disse uma barbaridade dessas? Quem disse pra não desistir?
Que atire a primeira pedra quem nunca desistiu de nada, quem nunca percebeu que um crush não valia suas tentativas falhas – cansativas, insistentes e chatas-, quem nunca desistiu de um curso e até quem nunca desistiu de montar aquele desgraçado do cubo mágico? Aafffff!
Esse negócio de não desistir tem lá suas exceções. E uma delas é quando se trata de relacionamentos.
Tem brasileiro nato sofrendo de tanta peleia pra conseguir apenas um “oi”, que nunca – nem com reza braba – chegará no “tudo bem, como está?”, quem dirá um convite aceito para um jantar a luz de velas.
Tem gente que é mais ignorado que panfleteiro e ainda assim está ali, firme e forte na tentativa fracassada de ser, pelo menos, percebido. Que papelão!
Nesse caso, não adianta, não desistir é inaceitável.
Insistir em coisas que não vão mudar, que não vão acontecer e que somente lhe fazem sofrer ainda nas tentativas, é dose!
Aquele papo de que: “se você quiser realmente, você consegue”, não passa de um blefe, e dos grandes!
Esquecem de complementar que “você até consegue – tá, nem sempre -, mas e depois?”.
Conseguir o que se quer é o de menos. Coisa fácil depois de umas e outras. O pior vem depois disso.
Fácil, fácil, de conseguir um “oi”, às vezes um beijo, outras muitas noites de amor, uma boa companhia. Mas e aí? Era o que você procurava? Isso? Só isso? E aquele negócio que chamam de amor? É de comer?
Insistir em coisas que realmente não são recíprocas, não vale a pena. Ninguém precisa de migalhas – você é um pombo, por acaso? – de alguém.
Chega de inventar desculpas para a falta de interesse do outro – que nem sabe da sua existência e se sabe nem faz questão dela -, de tentar entender as atitudes e a falta de importância que ele lhe dá.
Afinal, a importância de um santinho de político está mais em alta do que a sua. Desculpe, sou sincera.
Já não é mais tempo de tapar o sol com a peneira, os dias ainda estão meio nublados, mas quando o verão chegar- e graças a Deus está quase aí – não haverá como não enfrentar os raios de sol no seu rosto.
Larga dessa cisma toda, ela só lhe trará dores de cabeça, para não falar nas do coração.
Nesse caso e em milhões de casos, desistir não é fraqueza.
Desistir de algo que só está lhe causando dor e que realmente não terá nenhum resultado – que não, mais um coração partido – é amor, e digo amor próprio.
O que você – pelo amor de Deus, diz que sim – tem que ter por aí. Né?
Tem gente (tipo aquele traste) que não merece o nosso querer, muito menos o nosso precioso tempo.
Então desista, esqueça. Se permita. Não adianta insistir no não desejo do outro.