sexta-feira, 23 de junho de 2017

Se queira


Em um dia desses chuvosos, ela estava sentada na varanda, ela costumava ficar ali quando se sentia triste. Naqueles dias em que aquele friozinho, só fazia lembrar do quanto aquele abraço era bom, do quanto aquele sorriso era lindo e do quanto ela já riu sentada naquela varanda ao lado dele. 

Então ela resolveu ligar, mesmo com tantas negativas anteriores, mesmo com o orgulho gritando “não sua tonta“, "ei anta, não faça isso", "vai fazer papel de trouxa de novo, ok", ela resolveu, depois de muito tempo, se dar mais uma chance, pois mesmo que ele não merecesse, ela merecia, só mais uma. Coisa pouca.

Ela ligou. Disse que estava com saudade, convidou-o pra um programa qualquer, com a pior desculpa dela - pior do que responder mensagem as 4 da madrugada dizendo que acabou de acordar em um sábado-, daqueles que acabariam em uma noite como as antigas.

Quando ela já estava desistindo no meio da ligação, ele atendeu. Meus Deus, ele atendeu! 

Foi simpático, foi meigo, foi escorregadio, e por mais que olhasse pra ela com cara de quem não queria ir, ele respondia com aquelas respostas de “não estou afim”, disfarçadas de “qualquer dia a gente marca, morreu meu parente, estou doente, tenho muito trabalho essa semana, estou um pouco cansado”. Aquelas desculpas, que ela só conheceu no fim daquele conto, nem tão de fadas.

Então, ela percebeu que não era mais importante, que ela estampava na cara - e naquela ligação ridícula - o quanto queria, o quanto sentia e ele sabia, mas não havia mais saída para alguém que estava ali, amando sozinha. Sem chance, ela sabia que aquilo não iria mudar.

Ela sempre soube, e mesmo assim ela encontrava motivos para ficar, se apegava em qualquer sinal, mesmo que inexistente, ela via sentido em todas as coisas, ela estava decidida a ficar ali, mesmo sabendo que não havia alternativa, que não fosse deixar aquele cara para trás, mesmo que ainda gostasse dele.

Ela sabia o quanto era difícil deixar de querer alguém, ela tentava fugir dessa parte triste dos relacionamentos, ela sempre dizia que não começava relacionamentos porque terminá-los era muito triste, mas por mais difícil que fosse, por mais que quisesse aquele cara com todas as forças, não era recíproco. Ele não queria ela, mas ela não poderia deixar de se querer.

Então ela se quis.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Se enxerga, garota!


(Se esta foto é sua, por favor, entre em contato para créditos)


“Ai não aguento mais sofrer por…” Ah não, engole o choro, agora pô! Isso vai acontecer por no mínimo mais umas 32 vezes na sua vida, vai sofrer sim, vai chorar sim, mas e daí? Morreu depois disso? Você não tinha uma vida antes dele? Então, vai ter depois. Se quer saber, bem melhor sem aquele exu. Chegou de choro, já estava na hora de falarmos mulher pra mulher…Deu?

Acho que já está passando da hora de parar de se lamentar por algo ou alguém que, definitivamente, não vale suas lágrimas!

Já não cansou de ouvir a velha frase: “Se ele quisesse estava aqui com você…” Então, precisa mesmo repetir?

Sei, é quase um balde de água fria, mas quem disse que a vida é um ofurô????

Se ele quisesse mesmo, viria de qualquer jeito, sem carro ou pediria o carro dos pais escondido, viria de ônibus, metrô, barco, balão, carona de um caminhoneiro, de skate, patinete, roller, carroça, ele inventaria qualquer desculpa, mas viria até andando na procissão da Nossa Senhora da Aparecida, ah se viria!

Se ele quisesse falar com você ele ligaria, mandaria um sms, sem essa de não ter telefone, pediria emprestado, ligaria do orelhão (acredite, ainda existem!), do trabalho, mandaria uma carta se fosse do interior (de onde diz que é, quando reaparece depois de dias sem dar sinal de vida, sabe?), mandaria uma telemensagem ao vivo, até uma cutucada no facebook (tá, eu sei o que está pensando…) está valendo nessas horas.

E o que ele fez? Oi? Sumiu nas cinzas…

Então, olhe pra você! Olhou? Acha mesmo que merece isso? Tem mesmo espelho em casa?

E ele? Acha que alguém daquele tipo merece suas lamentações, seus pensamentos, suas expectativas, seus dias, seu amor e ainda pior, suas lágrimas? Mas é claro, que não!

O negócio é o seguinte, só vale chorar de alegria, de tanto rir com as amigas, aquelas mais lindas e engraçadas, que são as suas, vale chorar de saudade boa quando reencontrar os que estavam longe, chorar ao ver aquele filme lindo, chorar de emoção que nem cabe no peito, chorar de rir da cara das inimigas ou justificadamente quando aquele dedo insignificante, o mindinho, topar no móvel da sala, aí sim, chora, mas chora mesmo, porque aquele sim só serve pra uma coisa na vida, que é doer!

quarta-feira, 14 de junho de 2017

É para frente que se anda




Quanto mais os dias se passavam, mais ela entendia o quanto fez a escolha certa.

Sabe o que é? É que ela sempre quis que ele a impedisse de ir embora, ela sonhava com isso, sério, ela esperou ansiosamente até o último minuto por uma declaração de amor ou uma placa dizendo "fique", sei lá.

Ela sempre pensou que significava alguma coisa para ele, algo a mais do que algumas noites boas e uma lembrança legal.

Sempre quis que ele visse o mundo como ela via, mas como é que faz heim? Ela exigia sentimentos correspondidos à mesma altura, se torturava com isso e sofria quando isso não acontecia. O problema é que ela esquecia que existiam muitas formas de gostar, e que nenhuma era menos justa que a outra, apenas diferentes.

No fundo, ela sabia que esperar por ele era perda de tempo, ele nunca corresponderia às expectativas dela, que não eram poucas, eles eram tão diferentes que não tinham nada em comum, a não ser o fato de não estarem juntos, ok achamos algo em comum aqui, mas graças a ele.

Mas, triste e como ela imaginou, ele não estava esperando por ela no dia em que ela foi, não ligou - muquirana -, não desejou boa sorte - sem coração -, não foi se despedir - máquina de vacilo -, sequer mandou uma mensagem de “já vai tarde”.

Ela olhou para todos os lados, sério que ele sequer daria um sinal? 

Ela até pensou em ligar, afinal ele poderia ter estado muito ocupado, poderia estar sem telefone ou com o sinal ruim, poderia ter até esquecido que era a última chance, a última, espera que vou soletrar rapaz, mas não, ele nem apareceu. 

Ele sabia de tudo isso, sabia que era a última chance, das 32 que ela deu, ele sabia mais do que ninguém o que estava perdendo, mas não importava, afinal ele nunca entrou nesse jogo pra ganhar, ela já estava na dele, não que isso importasse. Afinal, quem disse que ele iria ficar?

Assim ela embarcou, ninguém apareceu. 

Por mais que a saudade doesse, por mais que o coração apertasse lembrando dele, ela ainda estava ali, mas sabia que esperar por algo que não chegaria seria fatal. Seria a mesma espera para sair para jantar com o Nick dos Backstreet Boys, não iria acontecer. Sério, Serião. 

Então, como de costume, ela vestiu aquela armadura estilosa, estampou aquele sorriso lindo nos lábios e seguiu em frente. Não olhou para trás. 

Pra que olhar pra trás? Afinal, é para frente que se anda.

Sobre dedos podres.




Ok. Livre, liberdade, enfim salva. Finalmente ela apagou as mensagens dele. Cretino. Como ele pôde?

Apagou todas as fotos de comidas, viagens, família que ele lhe mandava aleatóriamente - para ela e para mais algumas 3, né? - depois de certos colapsos de invisíbilidade dele.

Como se não bastasse, se descabelou, mais uma vez, depois de olhar a galeria de fotos enviadas, e ver a quantidade de fotos que - inultilmente - havia mandado a ele, e o pior, depois de ler aquelas semideclarações quase apaixonadas que ela mandava, e ele retribuia (desalmado sem coração dos infernos).

Ontem mesmo ele havia a deixado no vácuo - o que acontecia no mínimo uma vez na semana - e hoje, nenhum oi, bom dia, tu está bem? Hoje nada, nem um te odeio, já vai tarde, estou com saudade e após um: ops, numero errado! Nem isso.

Ela mais um vez - até quando? - pensou que havia achado o cara certo.

De boa aparência, um papo legal, bem encaminhado profissionalmente, engraçado, com uma risada boa - ela ja contou que adora risadas boas? - e solteiro. Não ligava toda a hora e ainda sumia por grande parte dos dias - ganhou quase todos os pontos aqui, bom soldado -, não respondia instantaneamente as mensagens dela e lhe deixava insegura.

Perfeito. Onde ele estava até agora heim?

Pergunta errada, resposta ruim. Estava lá, com a ficante/namorada/amiguinha/rolo. Sim, ele não era solteiro, pelo menos não nos últimos 4 anos, isso, 4 anos queridinha.

Adivinha, o que ela acha disso? Ela não acha nada, afinal quando ela acha já tem dono, né?

Ele já tinha alguém, e ela, nenhuma vocação para ser a outra.

Hoje ele já não era mais a solução, era mais um problema, dos grandes - alguém sabe onde se encontra passagem barata para China, só de ida? - e quase sem solução.

Alguém poderia avisar pra ela que esse cara certo não existe? Que talvez ela tenha mandado ele embora em alguns desses ataques sinceros dela?

Alguém pode explicar que se ele é o certo pra ela, não quer dizer que seja recíproco????

Pô, coitada da moça, mais uma vez ela errou na investida. Então Deus, me diga, porque ela tem dedos, se todos são podres?


Onde compra um dedo bom? Ou um cupido sóbrio?

Poxa, o coração da coitada já estava pisoteado, de tantas investidas fracassadas, e ele nem era tapete, era?

Novamente - 34ª isso? - ela estava ali, desiludida e com o coração partido por um cara que enganou ela. O que não é nenhuma novidade.

Agora ela vai chorar, vai mesmo. Vai se descabelar e comer todo aquele sorvete da geladeira. Agora ela vai afogar as mágoas em bebidas cada vez mais fortes e depois sair pelas noites procurando ele em todos os caras com barbas mal feitas, ela vai sim.

Vai ficar alguns dias por casa, depois de ficar com alguns psicopatas que a perseguirão querendo dar amor, e o pior, querendo receber amor dela - logo ela - que estava até ontem com o coração estraçalhado por uma máquina de carne moída chamada 'crush'. Ela não vai conter as lágimas e vai pensar que o mundo está sendo injusto com ela - de novo - quando se trata da "missão encontrar o cara certo".

Aí ela vai brigar, com ele em pensamento, com indiretas nas redes sociais SIM, vai brigar com a namorada dele, com o mundo, com a mãe, vizinha, com a televisão, com o espelho e vai sobrar até para o coitado do cachorro. E depois vai passar.

Logo mais ela vai encontrar outro alguém, que com sorte talvez seja o último - estamos na 35ª vez isso? - entre tantos outros, dos quais ela pensou que fossem.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Ele não te quer.

Vai lá burra. Vai mais uma vez atrás daquele cara - queniano que foge de você feito o diabo foge da cruz - que insiste em se afastar. Vai lá, manda mensagem.

-Oi tudo bem?

- Oi, não respondeu, está tudo bem?

- Oi, você sumiu?

- O que eu fiz?

Isso aí, converse sozinha, gaste seu tempo, os dedos e o saldo - que já está acabando - tentando alguma resposta, daquelas que você já está cansada de saber.

Ligue, ligue novamente, aguarde as 12 chamadas e o som daquele "tu, tu, tu" que insiste em aparecer. E ele? Nem sinal daquela voz linda, fofa e ridícula.

Vá até aquele bar que vocês iam em todas as sextas, sente e espere, conte as horas, até que ele - por um milagre de são longuinho, aquele que encontra o que está perdido - resolva aparecer.

Pergunte para algum amigo dele, mãe, tia, coloque um anúncio no jornal. Vá até a frente da casa dele e fique de butuca, com sorte ele aparece após a meia noite, acompanhado.

Insista, persista, mas não desista. Seja brasileira, querida!

Alguém se identifica aqui? Ah, vai, pode dizer, eu sei.

Alguém já foi tão burra, mas tão burra a ponto de abdicar da própria vida, por alguém que só tem um objetivo, que é fugir de você?

Quem nunca foi um ursinho agarradinho grudado na roupa, no braço, na vida de alguém? Ah, me diz quem nunca foi idiota nessa vida?

Tudo bem, que quando a gente gosta de alguém - de verdade mesmo - a gente insiste até a última ficha. Chega a ser ridículo, sério. Mas até aí tudo bem. Afinal, isso sempre acontece no primeiro amor - mas deveria ser só no primeiro mesmo - quando a gente só pode entrar se deixar o cérebro, sabe?

Mas e quando nós sabemos, a vizinha sabe, a moça da padaria sabe, a desconhecida sabe e até o papa sabe que esse alguém não lhe quer? É isso mesmo, não quer. O que tem?

Você sabe como é não querer alguém? Você sempre quis todo mundo por acaso?

Quando a gente não quer, não quer e pronto. Não bate o santo, não cola, não tem química, não tem atração, não tem nada. Então, não adianta insistir.

A gente pode amar, se escabelar, fazer serenata na janela, comprar uma aliança, uma roupa nova, podemos reservar um final de semana no campo, na praia, pode reservar uma vaga lá na puta que pariu, que não rola, não cola, ele não quer e nem vai querer.

Ele foge tanto de você, que talvez esteja na China, protegido em um porão, com dois soldados avisado com um: Se aquela garota aparecer, atire, na cabeça, não tenha pena!

Querer alguém não funciona dessa forma.

Se ele sumiu, se você não o viu mais, se ele não atende suas ligações, não responde suas mensagens, se ele não lhe procura e nem pergunta de você para quem quer que seja, ele provavelmente não quer saber, atender, não que retornar. Eu sei, é triste, mas ele não quer lhe ver.

Agora, por mais que você goste - de sofrer -, você precisa entender de uma vez por todas que nem tudo se vence pelo cansaço. Que nem tudo que a gente quer a gente vai ter. Que as pessoas não são coisas e que os sentimentos - infelizmente - não são controlados.

Alguém aqui por favor, poderia inventar um controle remoto para isso?

Todo mundo - e nesse caso não existe aquele eu não sou todo mundo, afinal você também é - sabe que a gente não escolhe o que sente, mas também sabe que é um desperdício perder tempo, perder noites de sono, perder cantadas - ótimas e bem elaboradas - e principalmente perder amor próprio com um cara que simplesmente não está nem aí.

Tente usar todo esse amor que sente por ele - e que ele definitivamente não quer - e passar a sentir por você. Já está na hora de se amar né?

Quanto tempo leva pra criar vergonha na cara?



Quanto tempo? Você sabe quanto tempo leva pra criar vergonha na cara? Alguém sabe me dizer? 

Eu não sei, uma amiga minha perguntou o seguinte: Quanto tempo vai levar ainda pra você criar vergonha na cara e não falar mais nesse boy? 

Só pra constar aqui, achei essa pergunta bem ofensiva, viu amiga? Mas tudo bem, eu não sei, eu sei lá, eu nem falo dele sempre, só às vezes, nos finais de semana, talvez mais do que o desejado por ela, que deseja com todas as forças nunca ouvir o nome dele depois de tudo.

Esse boy, que não podemos aqui falar o nome, que ela exige que eu exclua da minha vida há um bom tempo, e isso inclui o facebook, instagram, telefone e ainda o snap - sim, isso é maldade quando se trata de snap né? -, esse boy, então, é o cara que eu mais gostei na vida. Isso é sério, bem sério, e já estou médio velha, talvez eu nem viva mais o dobro dela, para gostar de outro boy da mesma forma, e não, não me orgulho disso. 

Ele, sim, foi meu grande amor, na verdade ele ainda é - que ela não leia esse texto e apareça aqui na frente pra me bater ou que ele não leia esse texto e acredite que eu ainda gosto mesmo dele, o que é verdade, mas ele não precisa saber né? -, e isso é chato, ridículo, mas tem coisas que a gente não muda, uma delas é o que a gente sente por alguém. Tudo bem. 

Mas pense aqui em uma coisa que você gosta muito, agora multiplique, eu no caso, pensei em um MC chegando depois de um dia sem comer nada, como é que você se sentiu? Eu me senti SENSACIONAL. Sério. E é assim que me sentia com ele.

Com ele sempre foi diferente, eu sentia que realmente era completa, com ele eu acreditava no amor, pensei que realmente havia encontrado alguém que me aceitava como eu era, sem tirar nem por, desse jeito mesmo, e isso era muito massa. 

Tipo quando a gente entra no carro sem olhar pra trás, depois de dias longe de casa, sabe? E quando a gente chega em casa, parece que a gente poderia parar ali, pra sempre. Parece que a gente esta no lugar certo. Era assim que sentia como ele.

Você já se sentiu pronta pra abrir mão de ser singular? 

Eu já, com ele era assim. 

Ok, agora vamos para a parte negra da história, ela não é tão linda assim, sei bem o que aconteceu depois de tudo isso, errei, ele errou, errei de novo, ele também aí só de raiva eu errei mais, porque sou dessas. Aí fim. 

Simples né? Simples se a parte do fim realmente fosse real. 

Foi o fim, só que não foi, nunca acaba. Mais heim, por que isso não acontece com as férias também?

Sabe aquele fim do filme que você vai saindo do cinema e começam aquelas cenas finais, aquelas melhores e mais engraçadas? Nosso caso é mais ou menos assim.

A gente até tentou que fosse o fim de verdade e a gente sabe que não vai ficar junto, só que aí a gente se vê, aí a gente pede pra Jesus puxar a gente, porque se ficar ali vai acontecer de novo, aí a gente esbarra, aí a gente encosta uma mão na outra sem querer e sabe que vai estragar tudo, mas a gente fica, porque se tem gente mais corajosa estou pra conhecer. 

Ai a gente fica junto, a gente estraga tudo e eu fico de novo, fico ali com aquela esperança boba novamente, esperando o que a gente sabe que não vai acontecer. Aí eu perco o resto da vergonha, aquela vergonha na cara que eu já não tinha, agora já era.

Eu sei, talvez minha amiga tenha razão sobre essa necessidade que eu tenho de criar vergonha na cara e nunca mais pensar nesse boy, afinal ela sabe o quanto isso tudo é loucura e talvez eu também saiba.

Mas sabe o que é? Quem foi que disse que a gente tem que ter vergonha na cara? Talvez a minha cara seja muito mais bonita sem um pingo de vergonha, eu que não saberia manter uma planta viva por mais de uma semana, como poderia criar esse tipo de coisa que a gente nem sabe o que come?

A triste notícia de que você não é o ovo da marmita.

                                                                                (Se esta imagem é sua por favor entre em contato através de mensagem para créditos)
Você não é - tão - importante.

É isso mesmo, você não é a última bolachinha do pacote, não é o último pedaço do chocolate, muito menos o restinho do papel higiênico. Não, você não é o melhor lugar no sofá, a cobertura do bolo, não é a nota de cinquenta reais encontrada no bolso da calça jeans que foi lavada. Definitivamente você não é o ovo da marmita, queridinho.

Dou como exemplo a vida de Júlia, ela teve um namorinho com um garoto que entra diariamente nas redes sociais da pobre Julia coitada, e acredita sinceramente de que ela pensa nele 24 horas por dia. Sério isso?

Mas infelizmente - ou não -, aquela postagem no facebook de "Júlia está se sentindo feliz", "Júlia está se sentindo triste", não é pra você garoto, não é, aceite.

Júlia não está feliz só porque lhe viu ontem, nem triste porque não lhe viu hoje. Julia está feliz e triste por outras coisas, afinal a vida dela tem milhões de coisas e pessoas, graças a Deus, que não são necessariamente você.

Olha lá na página dela, ela postou uma música que dizia "aonde quer que eu vá, levo você no olhar", ou aquela "bateu saudade, lembrei do tempo em que a gente se amou" e não foi para você. Não foi para ninguém.

Ela não pode somente gostar daquela música? Ela tem que ser necessariamente para alguém? Ela ultimamente anda controlando suas postagens, mesmo sabendo que suas redes sociais são pessoais, ou seja, DELA, SÓ DELA, ELA POSTA O QUE QUISER, ENTENDEU, nem nelas, aquelas postagens aleatórias, ela pode dizer o que sente pra não ser mal interpretada. Ah vá.

Ele - projeto de centro do mundo - tem mania de achar que tudo que ela posta é relacionado a ele, e assim fica nessa vida de visualizações constantes nas redes sociais de Júlia.

Se ela chega em um lugar - esses lugares comuns que jovens da nossa idade frequentam, e ele está, logo, conclui que Júlia foi até lá para vê-lo, mal sabe que ela realmente havia ido para um encontro, mas não com ele.

Ele acreditava que ela frequentava os lugares comuns que eles iam - há algum tempo atrás, tempo que Júlia sequer lembra bem - na esperança da companhia dele, e assim ele enchia o peito de orgulho por Júlia ainda estar apaixonada por ele.

A história de Júlia é a mesma de muita gente por aqui, já foi a minha, já foi a sua, se não foi, talvez um dia será.

Um amigo comentou esses tempos, em meio a algumas conversas sobre relacionamentos, que meus textos - sim, os meus nesse blog,no facebook e na minha coluna - eram diretos demais, explicou que "o cara" por quem eu era, ou deveria ser apaixonada, estava lendo tudo, acreditando que os textos estavam diretamente ligados a ele. Ok. Se por acaso esse cara existisse, o que não faria diferença nenhuma nas postagens dos textos, tudo bem, mas ele nem existe. Sério.

Pareceu minha tia quando encontrou a Nazaré da novela e disse que ela tinha que morrer. Alô, era uma novela, nem tudo é real nessa vida minha gente, fique suave!

Eu sempre soube disso, mas nunca me importei com a opinião alheia, afinal existia cada coisa que eu ficava sabendo sobre a minha vida por outras pessoas, que até eu me surpreendia e ria.

Por diversas vezes imaginei o que as pessoas poderiam pensar ao lerem os textos, em como elas entenderiam aquele bando de informação, que mudava de uma semana para outra. 

Pensariam que além de bipolar, como pedir que ele me esqueça nessa semana e que lembre na outra, eu teria uma vida amorosa mais badalada do que o carnaval de Salvador. O que - infelizmente - não era.

Afinal, não vou ser hipócrita e dizer que nenhum texto fala sobre você, você e você aí - imagine uma sala cheia de gente em que eu aqui, aponto a cada um com aquele dedo indicador enorme -, existem vários parágrafos que falam sobre você. Mas agora, acreditar sinceramente que todos, todos os textos que escrevo são direcionados a um única pessoa é demais né? Provavelmente você não me conhece.

Também não vou negar que existem textos sobre as minhas amigas, algumas coisas que não tenho a cara - de pau - para falar diretamente. Muito menos que muitos deles contém histórias que ouvi por aí, de pessoas que sequer conheço, mas que deram bons textos.  Tem também textos de gente que me escreveu e mandou toda a história, saindo assim mais um texto quentinho.

Ok. Não vou negar que certa vez, um cara me disse que não queria se envolver comigo, porque havia lido um texto meu que falava "Eu não quero ser importante", pensando que eu - que estava realmente interessada nele - havia escrito para ele e que estava só curtindo o momento. 

Primeiro, ele não era "o" cara para ganhar um texto, segundo, eu até estava gostando dele.

O problema é que tem sempre alguém que aposta sinceramente que nós - nós aqui ó - somos perdidamente apaixonadas por esse alguém. E não há quem coloque na cabeça do fulano que aqueles textos todos ou até aquelas publicações de Júlia, não fazem qualquer relação com ele, e que se fizerem, no meu caso, ele vai saber por mim e não por um texto.

Tudo bem, o que a gente faz quando essa gente se ilude sozinha e não quer ver? Nada, a gente deixa o coitado ali, alimentando aquela ilusão e torcendo para que ele não apareça na frente da nossa casa dizendo um "voltei já que pediu no texto", "estou aqui e não fui embora já que pediu no texto", "eu te amo e não aquilo que escreveu no texto", "fique comigo e não fique com o cara do texto", tudo bem que a gente quer leitores né? Mas tente ser um pouco menos né?

Afinal, você queridinho, não é o ovo da marmita, e ainda, tem gente que não gosta de marmita ou tem marmitas muito melhores sem ovo.