domingo, 31 de agosto de 2014

Esqueça.


Você pode até esquecer de fechar a janela, desligar a luz, tirar a roupa do varal e avisar que vai dormir fora de casa.

Você pode até esquecer o guarda-chuva, o casaco, as chaves, um compromisso importante, de pagar a conta, a data da prova.

Você pode até esquecer o aniversário do namorado, do amigo, do chefe, pode até esquecer de levar o presente. De colocar gasolina, de retornar a ligação, de dar o recado.

Mas uma hora você vai lembrar, vai sentir falta e vai procurar.

Você pode fugir, viajar, mudar de cidade.

Pode até esquecer durante um dia, uma semana, um mês, um ano, mas uma hora você vai lembrar. Pode até esquecer durante uma conversa boa, uma aula de matemática, uma festa cheia de gente interessante, um garoto e outro, um gole de bebida e outro.

Se tiver sorte, você pode esquecer pelo verão inteiro, pelo carnaval inteiro, pelo feriado todinho.

Mas quando o assunto e a música acabar, quando a garrafa secar, você vai lembrar.

Afinal, sempre haverá aquela música, aquela data, aquela praia, aquelas férias juntos. Esquecer nesses casos é inútil.

Então, esqueça de esquecer.

Com Franciele Rech

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