quarta-feira, 7 de junho de 2017

Oi, razão das minhas atitudes ridículas.





- Oiiii.

- Oi, você de novo?

- A gente precisa conversar.

- Mesmo? Conversar o que?

- Tudo bem por aí? Queria te ver...

QUE EXU? ONDE É QUE TU ESTAVA ESSE TEMPO TODO HEIM RAZÃO DAS MINHAS ATITUDES RIDÍCULAS? 

ONDE HEIN, SUA MÁQUINA DE VACILO? ACORDOU COM VONTADE DE ESTRAGAR A VIDA DE ALGUÉM HOJE É? HUM?

Não sei você, mas você não nota que quando as coisas estão começando a engrenar, quando você já está acostumando e começando a aceitar sua vida assim, sem o tal boy dos seus sonhos, o dito cujo aparece? 

Isso acontece com você também? Porque não pode ser só comigo, não.

As coisas estão lá, todas viradas, aí começam a ajustar, aos pouquinhos, sabe como é, não é tão rápido assim, é só a gente começar a pensar em sair novamente de casa, esquecer o pijama velho e o pote de sorvete - solução imediata da carência, já tentou? - e perceber que a vida ainda está ali, que já começam a aparecer alguns vestígios dele. Você não acha estranho?

Parece que o cara brota dos rebocos das paredes, que na primeira festa que você for ele vai estar lá, cheiroso, com aquele sorriso branquinho e ridículamente lindo, e ele vai estar sim. 

É isso que acontece na vida real.

Quando, tudo está bem, tudo já não está mais, e isso que só passaram 8 horas do último status. Ele que estava ali a pouco, ontem a noite, hoje  já não está mais. 

Até aí tudo bem, ninguém nasceu grudado, mas nesse meio tempo, passou um mês. Um mês? Ele nem ligou, nada, nadinha.

Aí sim o negócio ficou preto, ele sumiu, sumiu mesmo, e tem um zilhão de boys que somem todos os dias, as pessoas somem, alguém já pensou em colocar isso no currículo? Não? 

Então, ele sumiu.

Eu não. Eu fiquei ali tentando esquecer, entre uma série e outra, entre um bar sem graça e outro, entre uma cerveja e outra. Em uma busca incessante de caras como ele, mesmo perfil, mesmo tipo físico, mesma barba, jeito de andar, querendo esquecer e lembrando sem querer. Era assim, mas foi ficando tudo bem. 

Com o tempo já estava tudo bem. Tudo ótimo, sério.

Eu já havia definitivamente esq....

Até que recebo uma mensagem, até que a máquina de vacilo voltou, dizendo um Oiiii, com 4 "i"s, o que é muito significativo, sério.

Ele voltou como se nada estivesse acontecido, com aquela cara de pau de sempre, porque ele realmente acreditava que nada havia acontecido. Ele voltou todo lindo vestido de cilada para que eu caísse novamente.

E eu, como uma boa trouxa graduada, balancei, tremi na base, resvalei no patê, sambei no gelo, cravei uma guerra comigo mesma, porque não aceitava o que estava sentindo, como é que eu estava ali, cogitando a possibilidade de responder um: "Eu também queria te ver"? 

Depois de tudo que ele fez, eu deveria ainda ser essa "trouxiany"?

NÃO DEVERIA. MAS SIM, EU QUERIA, ENTÃO EU DEVERIA MUITO.

Então eu fui. Respondi um "Eu também queria te ver" e ainda sugeri uma data. Porque não adianta fazer merda, tem que fazer a merda e ainda entupir o vaso. 

Eu sei, briguei com ele em pensamento esse tempo todo, chamei de mil coisas aquela máquina de vacilo, porque ele realmente era uma máquina de vacilo, das boas. Chorei quando ele sumiu, entrei em uma deprê insana, ouvi Marília Mendonça como se não houvesse amanhã, tudo porque achei errado - com razão - o fato de ele ter sumido sem dar qualquer explicação, o que ainda acho errado, assumo. Mas mesmo assim eu queria vê-lo novamente. Ajuda aqui?

EU VOU FAZER O QUE HEIM? 
AVISA AQUI PARA ESSE CORAÇÃO RIDÍCULO QUE ELE PODERIA DE VEZ EM QUANDO GOSTAR DE ALGUÉM DECENTE? Sei lá, só uma vez, vai?

Ok. Me olhe, ou melhor, leia com essa cara de "meu deus como ela é burra", "nossa que ridícula, vai se ferrar de novo", "não acredito que tu vai sair com ele de novo", "vai lá, depois não vem chorar" e "olha o que ele fez, ele sumiu e não disse nada". 

Eu sei, eu sei mesmo, também não achei nem um pouco príncipe a atitude dele, não acho que ele mereça perdão ou que eu esqueça tudo que passei, não acho que ele mereça uma segunda chance, não mesmo, mas talvez eu merecesse, né?

Então eu fui, foi legal e ele sumiu de novo depois disso, sabia?

E quer saber? Nem me importei dessa vez, talvez tenha sido esse todo o problema. Eu sempre me importei demais.

Então não se importe tanto. As vezes a gente leva a sério demais, a gente se leva a sério demais, fica tentando não sentir o que não queremos sentir, tenta fugir, tenta não sentir saudade, não ligar, a gente tenta não chorar quando tem vontade, tenta não ligar quando tem vontade e fica digitando e apagando mensagens por várias vezes sem enviar, tenta esquecer todos os dias, mas não se esquece alguém com hora marcada, não se acorda decidido a não lembrar, não sentir, não querer. Você já deveria saber disso.

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